Vista aerea de Tarouquela
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · CULTURA

Tarouquela: vinhedos e sinos entre as encostas do Douro

Igreja barroca, romarias antigas e vinho do Montemuro numa freguesia de Cinfães com alma rural

1041 hab.
376.2 m alt.

O que ver e fazer em Tarouquela

Património classificado

  • MNIgreja românica de Santa Maria Maior, de Tarouquela

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Cinfães

Maio
Romaria do Senhor dos Enfermos Dias 24 e 25 romaria
Junho
Festa de São João Dias 20 a 24 festa popular
Romaria de S. Pedro Dia 29 romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Tarouquela: vinhedos e sinos entre as encostas do Douro

Igreja barroca, romarias antigas e vinho do Montemuro numa freguesia de Cinfães com alma rural

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O primeiro sino toca às sete, mas quem cresceu aqui nem precisa de relógio. Às seis e meia já se sente o cheiro do pão na padaria do Sr. António – três filas de broa de milho que saem do forno ainda a estalar, com a crosta tão dura que faz mossa no papel onde embrulham. É junho, e o fumo das fogueiras de São João não “paira”: agarra-se à roupa estendida, entranha-se nas cortinas de renda das janelas, faz os olhos arderem quem vem do campo. O granito da Igreja Matriz não “reflete” nada; está quente, tem as costas curtidas pelo sol de quinhentos verões, e às cinco da tarde ainda se pode deitar a mão lá em cima sem gelar.

A 376 metros, sim, mas o que importa é que se sobe o Montemuro aos trambolhões, de mala vazia, e se desce com ela cheira de pinhões e medronhos. O Bestança não “murmúria” – dá estalos, como quem mastiga pedras. Quem o atravessa a pé no verão sente-o a escorregar entre os dedos, frio como a lata do poço, e leva-o para casa nos tornozelos até a noite.

Dentro da igreja o cheiro é de cera derretida e casaco de lã molhado. A talha não “capta” luz nenhuma; está simplesmente lá, dourada como o mel do Sr. Albano que escorre preguiçoso do garfo quando se come fatia com queijo de ovelha curado na laje da cozinha. Os azulejos têm um azul que lembra o fundo do tacho onde a sogra fervura a camisa do baptizado – o mesmo azul que fica nos dedos se se esfregar muito tempo.

Carne Arouquesa não chega “rosa e marmoreada”; cheira a estrebaria, a pasto pisado, a sangue salgado que escorre pelo tampo da banca do talho quando o Zé corta sob o olhar da cadela Loira, que sabe o dia em que há ossos. O cabrito não “perfuma”; fuma-se mesmo, na churrasqueira de grelha torta, e a pele estala antes de ser dente, salpicando gordura quente nas camisas de xadrez. O cozido leva couve que se colhe depois da primeira geada – a mesma que escama os vidros das carrinhas estacionadas diante do café O Progresso, onde o gasóleo custa sempre três cêntimos mais caro que em Resende.

Vinho verde aqui não tem “acidez que corta”; tem beça, faz arder a garganta de quem bebe de um trago o copo de jeito. Pisam-se uvas no lagar do Sr. Domingos, sim, mas antes disso conta-se os cânticos ao domingo, ao balcão, com os copos de plastico e o maço de Trinta marcando a vez de falar. As garrafas saem para fora do concelho dentro das mochilas dos filhos que emigram – dois litros embalados em cuecas para não estilhaçar no avião.

Caminhar por Tarouquela é levar o barro agarrado às solas. Não há placas, mas há a pedra onde a avó se sentava a descascar favas, há o cruzamento onde o Joaquim partiu a perna ao tombo da moto, há o ribeiro onde ainda se apanham enguias com as mãos se a lua for nova. A subida ao Montemuro começa atrás da escola – deixa-se o cheiro a mijo do gato do pátio, ganha-se o vento que traz o Gerês e às vezes até o mar, dizem.

Quando o sino das seis badala, as crianças já estão de pijama, as mulheres aos poucos fecham as janelas de madeira que rangem, e o cão do Celestino ladra para o mesmo ponto da estrada onde nunca aparece ninguém. Fica o silêncio que não é silêncio: é o ranger da porta do forno, o tique-taque do relógio de parede da Dona Emília, o nome “Aninhas!” que a mãe da Ti’Aninhas grita duas vezes antes de a ver chegar, descalça, com os pés negros de terra molhada.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
Concelho
Cinfães
DICOFRE
180415
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 8.7 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~593 €/m² compra · 3.41 €/m² rendaAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
40
Familia
40
Fotogenia
55
Gastronomia
25
Natureza
35
Historia

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Perguntas frequentes sobre Tarouquela

Onde fica Tarouquela?

Tarouquela é uma freguesia do concelho de Cinfães, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 41.0730°N, -8.1858°W.

Quantos habitantes tem Tarouquela?

Tarouquela tem 1041 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Tarouquela?

Em Tarouquela pode visitar Igreja românica de Santa Maria Maior, de Tarouquela. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Tarouquela?

Tarouquela situa-se a uma altitude média de 376.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

38 km de Porto

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