Convento de Santo António de Ferreirim VII
Pedro Nuno Caetano · CC BY 2.0
Viseu · CULTURA

Ferreirim: Vinhas de Xisto e Caminhos de Santiago

Freguesia de Lamego onde o ferro deu nome à terra e os peregrinos cruzam socalcos de vinha

898 hab.
525.3 m alt.

O que ver e fazer em Ferreirim

Património classificado

  • IIPIgreja paroquial da freguesia de Ferreirim

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Lamego

Agosto
Festa de Nossa Senhora dos Remédios Romaria da Nossa Senhora da Abadia | Sta Maria de Bouro – Amares festa popular
Setembro
Romaria de Nossa Senhora dos Remédios Durante o mês de Setembro, realizam-se as seguintes Romarias e Festas Populares em Portugal:Finais de agosto a 9 de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Ferreirim: Vinhas de Xisto e Caminhos de Santiago

Freguesia de Lamego onde o ferro deu nome à terra e os peregrinos cruzam socalcos de vinha

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O silêncio de Ferreirim pesa. Não é aquele vazio que nos faz falar alto, é um silêncio que tem corpo - como quando entramos numa casa onde ainda se sente o cheiro do café da avó. A 525 metros de altitude, esta aldeia de menos de novecentos habitantes agarra-se às encostas como quem se agarra a um segredo. O xisto aparece nas paredes como veias numa mão de trabalhador, sustentando vinhas que descem escadinhas abaixo até ao vale.

O nome, contam os mais velhos, vem do tempo em que esta terra cheirava a ferro queimado. Hoje só cheira a terra lavrada e, em Setembro, a uva pisada. A mineração ficou-lhe no nome, como acontece aos homens que herdaram o apelido do ofício do avô.

A Senhora dos Remédios e o barroco que não se armou em fino

A igreja está ali no meio, nem grande nem pequena, com a discrição de quem sabe que é importante mas não precisa de o gritar. Barroca, dizem os papéis. Para nós, é branca como as outras, com o portal em pedra que os netos dos netos já trepavam para ver as procissões.

Em Setembro, a padroeira tira-a do sossego. Aí sim, o adro enche-se como a praça do Brasil num jogo grande - mas em vez de gritos há cantigas, em vez de cerveja há vinho na garrafa de plástico, e a salsicha assada substitui o hambúrguer. É dia de encontrar o primo que não se vê desde o Natal e de aproveitar para marcar o baptizado.

Os caminhos que levam a Santiago mas também ao café

Dois caminhos de Santiago cortam a aldeia, mas os peregrinos são poucos. Os que aparecem perguntam onde fica o café mais próximo - fica a dois quilómetros, na estrada nacional, e é uma pastelaria que também vende serradura e pregos. As setas amarelas estão pintadas nos postes como quem deixa um recado: "passa, mas não armes estrilho".

A paisagem é Património Mundial, dizem os papéis de Bruxelas. Para cá, é o sítio onde o pai plantou a vinha que paga as propinas da filha. No Outono, as videiras ficam vermelhas como quando a mana se esqueceu do batom no bolso da camisa e foi parar à máquina de lavar.

À mesa: o que a terra dá

A chanfana vem da cabra que pastou ali em cima, o javali do monte onde o Zé foi apanhar cogumelos. A broa é da avó - densa como deve ser, a molhar no molho do coelho. O vinho é do Douro, claro, mas não é desses que ganham medalhas. É do quinteiro, feito na garrafa de cinco litros que o vizinho traz quando vai ao pé de Régua.

Nos dias de festa aparecem os doces: toucinho-do-céu que engorda só de olhar, e os pastéis de ovos que a tia fazia para a padaria e agora faz para os netos.

Para quem vem de fora

Vá devagar. Não há sítios para tirar selfie, nem lojas de recordações. Há antes o Sr. António que lhe pergunta de onde é e lhe conta que foi para França mas voltou porque "a terra chama". Há o cão do caseiro que vem cheirar as calças e decide se merece confiança. Há o miradouro improvisado - uma pedra grande ao lado da estruda - onde se vê o vale todo e se percebe porque é que ninguém quer vender a quinta do avô.

Ao fim da tarde, quando o sol se põe atrás do monte e o xisto fica cor de ferrugem, entende-se Ferreirim. Não é um sítio onde se vai. É um sítio onde se fica, mesmo que só na memória, como quem guarda na gaveta uma pedrinha do caminho.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
Concelho
Lamego
DICOFRE
180507
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 12.5 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~769 €/m² compra · 3.4 €/m² rendaAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
35
Familia
55
Fotogenia
35
Gastronomia
45
Natureza
40
Historia

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Perguntas frequentes sobre Ferreirim

Onde fica Ferreirim?

Ferreirim é uma freguesia do concelho de Lamego, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 41.0462°N, -7.7776°W.

Quantos habitantes tem Ferreirim?

Ferreirim tem 898 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Ferreirim?

Em Ferreirim pode visitar Igreja paroquial da freguesia de Ferreirim. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Ferreirim?

Ferreirim situa-se a uma altitude média de 525.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

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