Vista aerea de Várzea de Abrunhais
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · CULTURA

Várzea de Abrunhais: vinhas e caminhos no Douro

Freguesia de Lamego onde os socalcos do Alto Douro recebem peregrinos de Santiago

329 hab.
492.6 m alt.

O que ver e fazer em Várzea de Abrunhais

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Lamego

Agosto
Festa de Nossa Senhora dos Remédios Romaria da Nossa Senhora da Abadia | Sta Maria de Bouro – Amares festa popular
Setembro
Romaria de Nossa Senhora dos Remédios Durante o mês de Setembro, realizam-se as seguintes Romarias e Festas Populares em Portugal:Finais de agosto a 9 de setembro romaria
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Freguesia de Lamego onde os socalcos do Alto Douro recebem peregrinos de Santiago

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O granito das casas ferve ainda quando o sol se vai, e o vento que desce do contenteiro traz consigo o cheiro a terra virada, misturado com o feno seco que se acumula nos muros. Várzea de Abrunhais não está nos 492 metros — está no sulco das mãos de quem poda, no joelho doente de quem desce a vinha com o jarro de água na cabeça. Os socalcos não são “degraus precisos”: são paredes de xisto encaixadas umas nas outras, feitas de noites inteiras à luz da lua, com pedras tão grandes que só se movem com a força de dois homens e um burro velho.

Entre o Caminho e a Vinha

Os peregrinos passam, é certo, mas raramente param. Quando param, é para pedir água à casa da Encarnação, onde a mulher do Zé Manel ainda traz o copo de barro cheio até à cancela. Os quatro alojamentos são casas de família que sobraram: a da tia Albertina, onde se dormia debaixo de colchas de lança; a do tio Anselmo, que tinha o cavalo dentro da cozinha no Inverno. Agora têm nomes de sonho — Casa do Vale, Quinta do Pinheiro — mas continuam a cheirar a bafio de madeira e a azeite queimado.

A vindima começa sempre a 15 de Setembro, se chova ou faça sol. Não há contratos nem horários: aparece quem pode, traz a mulher, os filhos, o genro. Ao fim do dia, os cestos de verga pesam mais do que o corpo, e as mãos ficam pretas de tanino. O mosto é levado em baldes de alumínio para o lagar do Lopes, onde ainda se pisa a pé, com os rapazes de cuecas e a música do smartphone pousada no tanque.

A Romaria que Marca o Ano

A Festa de Nossa Senhora dos Remédios é dia 8 de Setembro, não há erro. Quem saiu regressa: os filhos do Porto, a neta de França, o sobrinho que foi parar a Boston. A missa é às onze, mas a igreja fica pequena — há gente na rua, de pé, com o copo de café na mão. Depois da procissão, serve-se sopa de nabos com entrecosto e vinho tinto da casa do Sr. Ramalho. As mesas são tábuas de pinho pousadas em cima de cavaletes, e quem não leva a sua colher come com a que há — mesmo que seja de plástico.

Ainda se faz o cortejo com a banda de Tarouquela, que toca marchas do tempo do Salazar. Os rapazes da aldeia já não sabem tocar, mas ainda há dois velhos no bombo e um no clarim. A marcha lenta soa estropiada, mas ninguém repara: está-se demasiado ocupado a ver quem chega, quem traz quem, quem está mais gordo, quem está mais careca.

O Peso da Pedra e do Silêncio

Às sete da tarde, o silêncio é tão grosso que se corta com a faca. Ouve-se o grilo, o relógio de parede da casa ao lado, o estalo da porta do forno quando a Emília vai buscar o pão. O cão do Basílio ladra sempre ao mesmo sítio — é a sombra dele próprio que o engana. As ruas não têm nomes, têm donos: a rua de cima é do Sr. Agostinho, a da igreja é da Dona Aureliana, que já não sai de casa mas ainda assim sabe quem passa.

As casas não são “restauradas para turistas” — são arranjadas com o que há. Uma porta de um lado, uma janela do outro, tudo encaixado como um puzzle de família. O goteira que cai no mesmo sítio há trinta anos já faz parte da casa: se um dia secar, é sinal que alguém morreu.

Fica o cheiro: a lenha de carvalho que se acende às cinco, o fumo que desce pela chaminé e se agarra à roupa estendida. Fica o som do sino da missa do galo, que se ouve a três quilómetros, e que faz lembrar que, por muito que o mundo vá abaixo, aqui ainda há quem carregue no badalo.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
Concelho
Lamego
DICOFRE
180523
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 8.9 km
SaúdeHospital no concelho
Educação15 escolas no concelho
Habitação~769 €/m² compra · 3.4 €/m² rendaAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
40
Familia
45
Fotogenia
35
Gastronomia
45
Natureza
35
Historia

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Perguntas frequentes sobre Várzea de Abrunhais

Onde fica Várzea de Abrunhais?

Várzea de Abrunhais é uma freguesia do concelho de Lamego, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 41.0795°N, -7.7669°W.

Quantos habitantes tem Várzea de Abrunhais?

Várzea de Abrunhais tem 329 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Várzea de Abrunhais?

Várzea de Abrunhais situa-se a uma altitude média de 492.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

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