Vista aerea de Alcafache
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · CULTURA

Alcafache: pedra romana e queijo da serra em Mangualde

Ponte medieval, forno comunitário e pastorícia tradicional numa freguesia beirã de 811 habitantes

811 hab.
371.3 m alt.

O que ver e fazer em Alcafache

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Mangualde

Agosto
Festa da Senhora da Assunção Segundo fim de semana de agosto festa religiosa
Romaria de Nossa Senhora do Castelo 15 de agosto romaria
Setembro
Feira de São Mateus 15 de setembro a 15 de outubro feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Alcafache: pedra romana e queijo da serra em Mangualde

Ponte medieval, forno comunitário e pastorícia tradicional numa freguesia beirã de 811 habitantes

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O frio húmido da manhã sobe do Sul e bate na ponte como quem acorda os ossos. Dizem que é romana, mas o certo é que o carro lá passa abanado, e se reparares bem no lado esquerdo ainda vês um pée-de-galo marcado na pedra — era o sinal dos peregrinos que iam a Santiago pela "estrada de Viseu". Em janeiro a água mostra as costelas do arco; o resto do ano corre cheia e leva folhas de nogueira como se fossem barcos de criança.

Às sete e meia já se sente o pão de milho que a D. Lurdes mete no forno comunitário. São quatro pessoas que ainda fazem rodada: cada sábado leva a massa de casa, abre a boca do forno com a pá comprida e depois divide o recibo da lenha. O forno fica ao lado da Casa do Povo; quem quiser pão, bate à janela da farmácia e pergunta por ela.

Al-Kafāḥ, lugar de pastagem

O nome vem dos mouros, mas o que importa é que ainda hoje se diz "vou à pastagem" quando se desce para o Sul. Há três rebanhos de ovelhas da Serra que passam o inverno aqui; o queijo compra-se à porta, mas leva talão se quiseres DOP, senão levas o queijo bom na mesma e fica mais barato. A casa do Sr. António é fácil de encontrar: xisto com porta azul, cheiro a cura e gato malhado que não gosta de estranhos.

A igreja é do séc. XVIII, mas o que vale a pena é entrar por causa do retábulo. O sacristão acende as velas se lhe pedires com jeito; senão, espia só pela grades e vais ver a talha dourada a faiscar como escova de dentes nova. Em frente há um coreto onde a banda toca no domingo da Trindade; levam cadeiras de casa porque há duas que partiram em 97 e nunca mais foram arranjadas.

O que se come (e quando)

  • Chanfana: só de cabrito, panela de barro, vinho do Dão. A Teresa da Tasca faz sob encomenda — telefona com dois dias de antecedência, levas garrafa incluída.
  • Ensopado de borrego: na Quinta do Rio, servem às refeições marcadas. Acompanhado com broa que eles próprios assam; se sobrar, levas para casa embrulhado em papel de alumínio.
  • Bolinhos de São Sebastião: aparecem na romaria de 20 de janeiro. Custam 1 €, vão em saquinhos de papel vegetal e aguentam uma semana — se durarem.

Trilhos e levadas

O PR2 começa mesmo em cima da ponte. São oito quilómetros; leva garrafa porque só há água na Póvoa, a meio. Os moinhos estão todos fechados, mas o do meio tem a roda ainda presa — dá para fotografia e para fazer de conta. O troço de kayak é só depois de janeiro e só se souberes nadar; o senhor do café embaixo aluga os barcos e leva-te de carrinha à partida. Diz-lhe que não tens pressa e ele faz-te desconto no fino depois.

Festas que ainda se aguentam

  • Domingo de Páscoa: cortejo dos Rapazes. São sete miúdos com bombos, um deles ainda não sabe bater, mas tem tio que toca concertina. Começam às dez na Igreja Matriz e acabam na Tasca com sandes de vinho e açúcar.
  • 13 de junho: arraial de Santo António. Há concurso de bolos de milho; ganha quem levar o que a D. Alda não fez — ela é juíza e não pode concorrer.
  • 5 para 6 de janeiro: os janeireros ainda despertam as casas. Leva chouriça para trocar, senão ficas a ouvir os Reis até às tantas.

Onde ficar

  • Casa da Ponte: quarto com kitchenete, vista para o rio. A dona deixa lenha cortada e ovos das galinhas dela. Liga antes, porque ela vai aos mercados às quartas e fecha tudo.
  • Quinta do Rio: dois quartos, piscina na berlinda. Servem jantar se combinares — avisa que não comes chanfana, senão ficas com sopa de couve e olhos na testa.

Dica de despedida

Se fores ao fim da tarde, fica na ponte até o Sol se pôr por trás do monte. O granito fica cor de mel e ouves o barulho da água a bater no arco como se fosse a aldeia a dar boleia ao dia. Diz a lenda que quem atravessar com má vontade tropeça sete vezes; o que eu sei é que, se calçares sapatos com sola lisa, tropeças na primeira pedra solta — pecado ou não.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
Concelho
Mangualde
DICOFRE
180602
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 5.6 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~546 €/m² compra · 3.72 €/m² rendaAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
35
Familia
30
Fotogenia
60
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Alcafache

Onde fica Alcafache?

Alcafache é uma freguesia do concelho de Mangualde, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 40.5995°N, -7.8676°W.

Quantos habitantes tem Alcafache?

Alcafache tem 811 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Alcafache?

Alcafache situa-se a uma altitude média de 371.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

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