Vista aerea de União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · CULTURA

Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães reveladas

União de freguesias entre rios, pedra antiga e fumeiros tradicionais no coração de Viseu

4006 hab.
388.4 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães

Património classificado

  • IIPPelourinho de Oliveira de Frades

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Oliveira de Frades

Fevereiro
Feira do Fumeiro Primeiro fim de semana de fevereiro feira
Setembro
Romaria de São Miguel 29 de setembro romaria
Dezembro
Festa de Nossa Senhora da Expectação Segundo domingo de dezembro festa religiosa
ARTIGO

Artigo completo sobre Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães reveladas

União de freguesias entre rios, pedra antiga e fumeiros tradicionais no coração de Viseu

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O cheiro a lenha do fogareiro mistura-se com o fumo dos enchidos no fumeiro como quem abre a porta de um café ao mesmo tempo que o padeiro tira o pão do forno. Num quintal de Souto de Lafões, um miúdo salta o rio Sul de margem a margem — gesto que só faz sentido aqui, onde o caudal no verão fica tão magro que até a minha avó o chamava "o pula-pula do Sul". A pedra das pontes antigas aquece ao sol da tarde como o assento de uma banca de jardim, e nas encostas graníticas os carvalhos e sobreiros resistem ao assalto do eucalipto como quem guarda o lugar no café. Esta é a União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães: 4006 habitantes espalhados por 22 km² de planalto que sobe e desce como o cotovelo do velho do tasco, entre os 300 e os 600 metros de altitude, onde os rios Sul e Vouga escavam vales tão fundos que até a pedra se queixa.

A estrada que levava o gado até ao mar

A antiga Estrada Nacional 16, hoje desclassificada, atravessava estas terras com um propósito: levar gado vivo de Lafões ao porto de Aveiro. Chamavam-lhe "Estrada do Boi", e o traçado ainda se lê na paisagem como cicatriz que não quer cicatrizar — entre açudes que a Câmara transformou em praias fluviais e pontes de pedra que resistem desde que o meu bisavô andava de burro. O Pelourinho de Oliveira de Frades, erguido em 1514 por ordem de D. Manuel I, perdeu a cabeça em 1893 numa rixa de terras — a peça apareceu quase cem anos depois no quintal do sr. Albino, guardada como quem guarda uma garrafa para a festa. A memória colectiva aqui tem a paciência de um cão de aldeia e o fôlego de quem sobe a ladeira com a compra ao ombro.

A reforma administrativa de 2013 juntou três freguesias como quem mete três primos à mesa do jantar — mas cada uma manteve a sua mania. Oliveira de Frades deve o nome às oliveiras e aos frades franciscanos que por cá andaram antes que o 25 de Abril fosse inventado; Souto de Lafões vem do latim saltus, floresta, e da comarca medieval que ainda hoje se discute à porta do café; Sejães ninguém sabe bem de onde vem, mas o sr. António diz que é do seixo que o rio traz nas cheias. São nomes que contam histórias como as rugas de uma mão de agricultor: pedra, água, árvore, fé — e muito trabalho.

Vitela, cabrito e chouriço no tacho de barro

A gastronomia não é nostalgia de quem nunca comeu favas com queixo — é prática viva como ir ao Aldinho buscar o pão. Quatro produtos com selo europeu marcam a mesa: Cabrito da Gralheira IGP, Carne Arouquesa DOP, Vitela de Lafões IGP e, pasme-se, Ovos Moles de Aveiro IGP — herança da ligação comercial quando os bois desciam a estrada e traziam doce na volta. No inverno, a chanfana ferve em tacho de barro sobre o lume como quem faz confissão — devagar e sem pressa. Os rojões à moda de Lafões chegam à mesa com colorau que pinta o prato como o bacalhau à Brás domingo à noite. Os enchidos — morcela, salpicão, chouriço — fumegam em lareiras de lenha que mais parecem altar a Santo António.

No primeiro domingo de cada mês, o mercado transforma a vila numa feira de vozes onde até o cão do costume se perde. Compra-se enchidos na Cooperativa Agrícola de Lafões, fundada em 1910 pelo dr. Joaquim Augusto de Souto — um republicano que percebia mais de chouriço que de política — ou prova-se vitela no restaurante O Moinho, em Souto, onde o vinho de mesa vem em garrafa de plástico mas sabe a terra como o pão da minha mãe.

Água fria, pedra quente, sombra de sobro

O Trilho do Vouga (PR3) faz 12 km entre levadas e pontes que o tempo não derrubou — partindo da capela de São Sebastião onde a minha avó ia acender velas por mim. Na encosta, a mata de carvalho tapa o granito como o xaile tapa os ombros da velha Rosa. No verão, a praia fluvial do Pessegueiro enche-se de miúdos que não conhecem o mar mas sabem que a água do açude é mais fria que a cerveja do Zé Manel. A falcoaria ainda se pratica nos soutos de azinheira — é o meu primo Henrique que mantém os falcões como quem mantém o fôlego para cantar o fado.

A Igreja Matriz guarda um retábulo barroco que o sr. padre limpa com água e vinagre — diz que é assim que se mantém a fé. As procissões descem até ao rio como quem vai buscar água ao poço. No Entrudo sobrevivem máscaras de cabeçudos e cantares de despique entre aldeias — é o carnaval que a TV não filma, onde se vai de máscara mas ninguém se esconde.

Ao fim da tarde, o eco dos passos na calçada mistura-se com o sino da igreja e o murmúrio do rio. Alguém, algures, salta outra vez o Sul de margem a margem — e o gesto fica suspenso no ar como a fumaça do cigarro do sr. Alberto, leve, preciso, impossível de repetir noutro lugar.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
DICOFRE
181015
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 22.7 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~603 €/m² compra · 4.14 €/m² rendaAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
45
Familia
40
Fotogenia
45
Gastronomia
25
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães

Onde fica União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães?

União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães é uma freguesia do concelho de Oliveira de Frades, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 40.7326°N, -8.1951°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães?

União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães tem 4006 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães?

Em União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães pode visitar Pelourinho de Oliveira de Frades. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães?

União das freguesias de Oliveira de Frades, Souto de Lafões e Sejães situa-se a uma altitude média de 388.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

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