Vista aerea de Várzea da Serra
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · RELAXAMENTO

Várzea da Serra: altitude, barroco e soutos DOP

Igreja setecentista, castanhais certificados e vacas arouquesas a 929 metros na serra de Leomil

207 hab.
929.1 m alt.

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  • IIPPelourinho de Várzea da Serra

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Artigo completo sobre Várzea da Serra: altitude, barroco e soutos DOP

Igreja setecentista, castanhais certificados e vacas arouquesas a 929 metros na serra de Leomil

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O sino da igreja bate ao meio-dia e o som vai-se arrastando pela encosta abaixo, como quem desce à taberna depois do almoço. Atravessa os soutos de castanheiro, bate nos espigueiros de granito e perde-se no vale. A 929 metros de altitude, Várzea da Serra respira devagar - tão devagar que até as vacas arouquesas parecem estar a fazer pausa para café. O ar é frio mesmo em junho, cheira a terra molhada e a pinho. E ao silêncio - esse silêncio que só se encontra em sítios onde o telemóvel marca um traço no ecrã.

Onde a pedra guarda o barroco

A Igreja Matriz de São Pedro está ali no meio, toda caiada, como quem se quer fazer notar entre o xisto escuro das casas. Lá dentro, o ouro do retábulo setecentista ainda tenta impressionar, mas é o chão de madeira a ranger que conta as melhores histórias. Os azulejos do século XVIII estão lá, azuis que nem o céu em dia limpo, a contar histórias bíblicas a quem os souber ler.

Mais acima, onde a encosta se torna perna de cabrito, está a Capela de Santa Helena da Cruz. Dizem que em 1640 uma cruz luminosa apareceu ali e afastou a peste. A madeira teria brotado da terra como cogumelo depois da chuva. Os doentes melhoravam só de olhar para ela. História de santo, dizem os mais velhos. Mas quem é de lá, sabe que milagres são como os cogumelos - aparecem quando menos se espera.

O caminho dos soutos centenários

O trilho que liga a igreja à capela são oito quilómetros que parecem oito séculos quando se sobe com ressaca. Chamam-lhe "Caminho dos Soutos" e é uma viagem no tempo pelos castanhais. O souto da Lapa, com cinquenta castanheiros tortos como histórias de tasca, foi o primeiro em Portugal a ter DOP. No outono, o chão fica todo espetado de ouriços - é o perigo mais próximo que estas terras conhecem.

O Ribeiro de Várzea vai fazendo companhia, saltitando entre pedras musgosas como criança no primeiro dia de escola. De vez em quando abre-se uma clareira e lá está ele - o Douro, enrugado de vinhas como a cara de um velho depois de muitos bagaços.

Carne, castanha e doce de abóbora

Na mercearia - que é também café, tasca e gabinete de psicologia - o balcão de madeira já viu mais confissões que muito padre. Vende-se de tudo: pão que ainda está quente, queijo de ovelha que fede que nem diabo, e doces de castanha que fazem esquecer a dieta.

A Carne Arouquesa é como as boas histórias - precisa de tempo. Grelha-se em brasas de carvalho, vem com batatas e castanhas que parecem pedras preciosas. A castanha da Lapa entra em tudo: na caldeirada de bacalhau, no bolo que parece tijolo mas soube ao céu, até em calda que se bebe de colher. O pão de ló vem coberto de doce de abóbora - é como ter sobremesa em cima da sobremesa. E os suspiros de Leomil desfazem-se na boca como promessas de amor de verão.

Festas de subida e descida

A 29 de junho, São Pedro desce à rua e a aldeia enche-se. Há música, há concurso de doces - onde as vizinhas competem pela receita que a avó levou para o túmulo - e bailarico que dura até o galo cantar e voltar a cantar.

No primeiro domingo de maio, a Romaria de Santa Helena sobe a encosta a pé. Vai-se cantando ladainhas que parecem lamentos, ramos de louro nas mãos como quem leva esperança ao bolso. Em outubro, a Feira da Castanha transforma a praça numa cozinha ao ar livre. Foge-se o cheiro a castanhas assadas que atrai mais gente que o cheiro a sardinha no Verão. E no Entrudo, os mascarados das "folias" vão de porta em porta a pedir ovos e toucinho, cantando quadras que metem medo à sogra.

Ao fim da tarde, no miradouro da Cruz da Senhora, o sol põe-se como quem se despede do café - devagar, a prometer voltar amanhã. O vento traz o cheiro a fumo de lenha das lareiras. Lá em baixo, uma vaca mugiu - deve ser a Mariazinha, que sempre foi tagarela. O sino toca as Ave-Marias, avisando que é hora de ir jantar. Em Várzea da Serra, o tempo é como o vinho da casa - não se conta em horas, conta-se em histórias.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
Concelho
Tarouca
DICOFRE
182009
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 16.5 km
SaúdeCentro de saúde
Educação4 escolas no concelho
Habitação~687 €/m² compraAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
35
Familia
50
Fotogenia
55
Gastronomia
45
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Várzea da Serra

Onde fica Várzea da Serra?

Várzea da Serra é uma freguesia do concelho de Tarouca, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 40.9901°N, -7.8207°W.

Quantos habitantes tem Várzea da Serra?

Várzea da Serra tem 207 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Várzea da Serra?

Em Várzea da Serra pode visitar Pelourinho de Várzea da Serra. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Várzea da Serra?

Várzea da Serra situa-se a uma altitude média de 929.1 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

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