Vista aerea de Vila Cova à Coelheira
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viseu · CULTURA

Vila Cova à Coelheira: caretos, granito e memória viva

Freguesia serrana a 743m onde o Carnaval ancestral convive com castros e a Ponte do Rio Covo

940 hab.
743.8 m alt.

O que ver e fazer em Vila Cova à Coelheira

Património classificado

  • IIPPelourinho de Vila Cova à Coelheira

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Vila Nova de Paiva

Fevereiro
Feira do Fumeiro do Demo Fevereiro feira
Julho
Festival da Truta Julho festa popular
Agosto
Festival do Pão Agosto festa popular
Setembro
Feira do Mel Setembro feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Vila Cova à Coelheira: caretos, granito e memória viva

Freguesia serrana a 743m onde o Carnaval ancestral convive com castros e a Ponte do Rio Covo

Ocultar artigo Ler artigo completo

O eco dos chocalhos chega antes dos caretos. Na última curva antes do largo da Igreja, o som metálico multiplica-se contra as fachadas de granito, enquanto figuras mascaradas de madeira percorrem a Rua da Judiaria como se cumprissem um ritual esquecido pelo calendário oficial. Estamos em Vila Cova à Coelheira, a 743 metros de altitude, onde o Carnaval mantém gestos anteriores ao cristianismo e o frio da Serra da Nave obriga a fechar os casacos mesmo em março.

Entre castros e comendas

O povoamento começou com Lusitanos e Celtiberos, deixando ruínas de castros nas encostas. Mais tarde, no dealbar da nacionalidade, estas terras foram "honra" de Soeiro Viegas, filho de Egas Moniz, antes de passarem para a Ordem dos Hospitaleiros da Comenda de Malta. D. Manuel I concedeu Carta de Foral em 1514, mas o concelho extinguiu-se em 1836, arrastando a freguesia por Fráguas até à integração em Vila Nova de Paiva. O topónimo revela camadas: Vila (origem castrense), Cova (vale entre montes), Coelheira (abundância de coelhos e antigo nome do rio). Em 1993, recuperou o estatuto de Vila, cosendo novamente a memória ao presente.

A Igreja Matriz ergue-se no século XVI, ampliada depois, guardando retábulos barrocos e imagens de talha dourada que captam a luz oblíqua das janelas estreitas. Ao lado, a Capela de S. Sebastião serviu como ermida processional. No adro, uma pedra de aram em forma de calhandra lembra a pequena comunidade judaica que aqui viveu até ao século XX, deixando também a Rua da Judiaria como testemunho inscrito na toponímia. A 200 metros, a Ponte do Rio Covo, construída em 1602 e erradamente apelidada de "romana", cruza o rio com três arcos de cantaria, marca paisagística de um troço da estrada real que ligava Viseu ao Porto.

A mesa e o fumeiro

O cozido à portuguesa aqui não é figura de estilo: no primeiro domingo de janeiro, o "Dia do Cozido" junta a freguesia em torno do caldeirão comunitário, onde couves, enchidos de porco preto e batatas fumegam horas a fio. O Cabrito da Gralheira IGP, estufado ou assado em forno de lenha, divide honras com a Carne Arouquesa DOP, servida em bitoque ou estufada com nabos. Nos dias mais frios, a sopa de nabada — couves, feijão branco e toucinho — aquece as mãos antes de aquecer o estômago. A doçaria apoia-se nos ovos: pão de ló caseiro, suspiros e bolinhos de noz para as festas. Ao fundo da refeição, aguardente de medronho da Serra da Nave, transparente e ardente, fecha o círculo.

Trilhos de xisto e castanheiros centenários

O Trilho do Rio Covo (PR4) percorre oito quilómetros entre Carvalha e Teixelo, descendo por praias fluviais de calhau rolado e poços naturais onde a água corre verde-escura sob a sombra dos carvalhos-alvarinhos. Ao entardecer, não é raro cruzar javalis que descem das encostas. A freguesia estende-se por 32 quilómetros quadrados de relevo ondulado, entre a Serra da Nave e o vale do Rio Covo, afluente do Paiva. Mata de sobreiros cobre as vertentes, separada por muros de xisto que desenham parcelas de oliveiras centenárias e soutos de castanheiro — um deles, com 3,2 hectares, declarado de interesse municipal, é o único do género no concelho.

Gestos que ficam

No Domingo de Páscoa, o "Compasso" leva o altar mor às casas para a bênção dos campos. A 15 de agosto, a Romaria de Nossa Senhora da Assunção enche o largo com procissão, missa cantada e bailarico que se estende pela noite. Entre estas datas, a freguesia vive ao ritmo das colheitas, dos magustos de outubro e do mercadinho mensal no primeiro domingo, onde ainda se vendem esteiras de junco e barro preto moldado à mão.

O som que fica não é o dos chocalhos nem o do sino. É o murmúrio do Rio Covo contra a pedra da ponte de 1602, constante e baixo, que se ouve melhor ao fim da tarde, quando a luz rasante tinge de cobre as fachadas de granito e o fumo dos fumeiros começa a subir, devagar, pelas chaminés.

Dados de interesse

Distrito
Viseu
DICOFRE
182206
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 26.3 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~498 €/m² compraAcessível
Clima14.8°C média anual · 1107 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
35
Familia
45
Fotogenia
35
Gastronomia
40
Natureza
25
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Vila Nova de Paiva, no distrito de Viseu.

Ver Vila Nova de Paiva

Perguntas frequentes sobre Vila Cova à Coelheira

Onde fica Vila Cova à Coelheira?

Vila Cova à Coelheira é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, Portugal. Coordenadas: 40.8831°N, -7.7944°W.

Quantos habitantes tem Vila Cova à Coelheira?

Vila Cova à Coelheira tem 940 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Vila Cova à Coelheira?

Em Vila Cova à Coelheira pode visitar Pelourinho de Vila Cova à Coelheira. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Vila Cova à Coelheira?

Vila Cova à Coelheira situa-se a uma altitude média de 743.8 metros acima do nível do mar, no distrito de Viseu.

27 km de Viseu

Descubra mais freguesias perto de Viseu

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 50 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo